Sei que estou sumida...e que interrompi a publicaão de " A Vida Contada aos Avessos"...
Mas creiam, é porum bom motivo, ou melhor....ÓTEMO!!!
Me livro será em breve publicado...
espero que quem começou à ler, eu tenha cativado e instigado a querer mais...
em breve, boas noticias!
AGUARDEM!
bjs
Cláudia Mantovani
História da minha Vida, minha infância turbulenta...meus irmãos...minha Mãe e meu Pai...um contexto de um grande conflito que me fez chegar onde eu nunca imaginei chegar....
terça-feira, 5 de março de 2013
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
O dia em que questionei meu pai...
CAPITULO VIII
Eu tinha mais ou menos
uns 11 ou 12 anos, e estava começando a entrar naquela fase que tudo muda, tudo
começa a pesar mais e o mundo começa a se abrir a nossa frente.Precisava
entender o que acontecia de fato com meus pais, pois pra mim ele era um sonho,
e aonde íamos nos divertíamos e quando chegava em casa, tínhamos um inferno pra
enfrentar com suas brigas com minha mãe . Eu já não conseguia viver com aquelas
duas situações completamente opostas, em que uma me fazia ser muito feliz e a
outra, me causava dor, medo, pânico e muito sofrimento. Ele tinha que me
explicar aquilo, pois era com ele que eu mais vivia e curtia, e era dele que eu
tinha orgulho e admiração.Ele era meu ídolo e não podia fazer aquilo,
principalmente com minha mãe. Por que, eu disse, por que, eu precisava saber e
só ele poderia me responder. Por que pai, por que, eu indaguei...
Mas não houve resposta
pra essa minha duvida, e em lugar de palavras que eu precisava e esperava,
houve apenas um denso e demorado silencio. Era um silencio que me dava medo, me
deixou sem chão e com mais duvidas ainda. Estávamos no carro indo ou voltando
de algum desses lugares que íamos sempre juntos, só eu e ele, mas ele não me
respondeu e eu tive medo de persistir na minha pergunta, pois ele ficou calado
e mudou sua fisionomia seriamente, eu não pude persistir, eu não podia, eu tive
medo. A única coisa que posso me lembrar desse dia em diante, foi que no dia seguinte,
meu pai saiu como sempre saia e ia aos bares ou em algum sitio, e sempre me
levava junto dele, ele me acordava e íamos juntos...naquele dia isso não
aconteceu...eu acordei e meu pai já não mais estava em casa e a primeira coisa
que fiz foi perguntar a minha mãe onde ele estava, ela me disse que já tinha
saído...mas como sem mim? Por que ele não me chamou??? Não sei...foi a resposta
de minha mãe. De fato ela não sabia, e nem eu...
Os dias passaram e meu
pai não mais me chamou e nem me permitiu ir com ele a lugar nenhum mais, e eu
perguntava por que, mas ele dizia que eu não podia ir lá, ou aqui, sempre tinha
uma desculpa, e eu fui ficando pra traz e não mais tive a presença de meu pai e
ele a minha, pois ele não mais me levou com ele. Quando não eu acordava e ele
já tinha saído...isso me deixou muito triste e pensando e pensando, vi que foi
depois que eu perguntei a ele sobre as brigas com minha mãe. Ele não gostou
daquilo que fiz e não mais me quis ao seu lado. E me abandonou...eu perdi meu
pai nesse dia, e ele me perdera por quase toda uma vida!
Penso; “Meu Pai Não Me
Ama Mais...".
Por isso, eu não o amo mais...”
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Momentos e Questionamentos...
CAPITULO VII
Quando eu era pequena,
eu amava demais meu pai, eu era o moleque da casa, e no lugar de meu irmão, eu
fazia às vezes do filho que adorava acompanhar o pai em tudo. E ele se orgulhava
disso também, me levando a todos os lugares e me apresentando com todo orgulho
aos amigos. Tudo o que eu queria ele me dava e fazia, uma vez, por nos irmos
muito a sítios, eu inventei que queria um cavalo, pois eu só podia andar quando
íamos a alguns sítios de finais de semana, e já que ele sabia que eu adorava,
ele comprou uma égua pra mim!! Coloquei o nome dela de Charlotte, e ela era
linda, eu quase morri de alegria. Meu pai era demais comigo! Claro, Charlotte
nos proporcionou um pouco de tudo, pois ela não um animal muito adestrado e pra
ela fazer aquilo que eu queria, que era andar e passear comigo, eu teria que
chicoteá-la e, isso pra mim é o fim, pois eu amo animais e se você quiser um
dia brigar comigo, maltrate um animal na minha frente. Com isso, Charlotte não
andava de jeito nenhum, e teve uma até uma vez que eu e meu primo fomos ate
onde Charlotte ficava e com a sela nas costas, né, pois íamos a pé, e chegando
la, nem conseguimos sela-la, pois ficamos com receio, já que eu nunca o tinha
feito sozinha, ai depois de muito se divertir com nossa idiotice, volta os dois
burros com a sela nas costas pra casa!risos..
Teve uma Festa do Peão em Americana, que ainda é tradicional na cidade,
e eu inventei de que iria ao desfile de cavaleiros com a Charlotte, e lá vai
meu pai combinar com seu amigo de que eu iria com ele, pois ele poderia me
ajudar no caso de algum imprevisto. Meu pai iria nos acompanhar com o carro. No
caminho onde havíamos marcado encontrar com outros cavaleiros, havia uma
ladeira e foi descendo essa ladeira que a Charlotte escorregou e foram as duas
para o chão... eu e a égua! Ela caiu em cima de minha perna, porem não
machucou, apenas ficou dolorida, e Charlotte graças a Deus, estava bem, mas,
eu, com meu coração todo compadecido por ela ter caído e talvez estivesse com
dor...não quis mais ir ao Desfile. Meu pai ate insistiu mas acabou por concordar
e voltar pra casa. Mas eu não iria montada, pois coitada da Charlotte, me levar
ainda pra casa no lombo, depois de tal queda...?Jamais eu disse a meu pai! Pois
eu fiz meu pai ir devagarzinho com o carro e com o bração pra fora puxando a
Charlotte pela corda ate em casa!! Ele no mínimo quis me matar. Teve uma outra
oportunidade em que eu estava indo pra casa com Charlotte e era uma distancia
considerável e no meio do caminho, meu pai atrás com o carro, ela empacou. Não
havia meios de ela andar, e meu gritando la do carro; bate nela Claudinha!!
Eu...Claudia Casati Mantovani....batendo na minha éguinha??? Ahahaha...ele
desceu do carro bravo e disse, leva o carro que eu vou levar a égua! Meu pai
era um homem de 120 kilos naquela época e a cena dele na égua foi no mínimo um
tanto divertida, e onde morávamos todos, absolutamente todos nos conheciam por
nosso próprio pai. Os caras gritavam assim pra ele; Vai matar a égua
Claudião!!!....
Nem vou dizer que daquele dia em diante, nos decidimos por forças
maiores, vender Charlotte! Meu pai e eu...bem, ele quase me matou de novo!
Risos
Como ele era cliente assíduo de bares, eu sempre tava com ele e no meio
de todos os seus amigos. E desde pequena eu bebericava suas bebidas e eles se
divertiam vendo que eu gostava. E sabem, naquela época, eu achava horrível,
pois cerveja era amarga, pinga era o cão de ruim...mas como eles riam, e ele
mais ainda, e eu percebia um certo orgulho nos olhos dele, eu bebia mesmo. Isso
em custou caro quando eu cheguei à adolescência, fato que comentarei mais
adiante. Eu ate banho tomava com meu pai quando era criança...tamanha era nossa
relação. Ele era meu ídolo e eu, sua fã numero um.Ele era um cara que brigava
com minha mãe quando ela ia fazer compra e gastava demais, sendo que ela só
tinha comprado o básico, e aos sábados ele ia ao mercado e comprava só o
supérfluo tipo, bebidas, latarias, frios e carnes...e gastava mais do que minha
mãe em um mês de alimentos! Mas ainda assim, era minha mãe que gastava demais
na opinião dele. Eles nos acostumaram muito mal em termos de alimentação, pois
tínhamos do bom e do melhor, palmito era uma coisa que todo mundo ama em casa
pois sempre tinha. Uma vez ele chegou com um vidrão de palmito, tipo de Itu
mesmo, sabem...e outra vez ele chegou com um pra cada de nós! Nossa, éramos
ricos, muito ricos em alimentação, saúde e caráter. Carne em casa era um
freezer ate a porta, sempre cheio, ele ia e matava um boi com alguns amigos e
um quarto era nosso. Peixe...meu pai gostava muito de pescar e pelo menos três
vezes por ano ele ia pescar pra longe e ficava 20 dias fora. Trazia caixas e
mais caixas de isopor com peixes enormes, pintados, ate jacaré ele trouxe!Eles
viajavam numa caminhonete e levavam ate freezer pra trazer os peixes. Ele amava
pescar! Viajávamos sempre para praias e ficávamos 15 dias, íamos pra Cardoso,
interior de São Paulo e ficávamos mais 20 dias lá. Ele nunca poupou esforços
pra nos dar uma vida com luxo e regalias. Nos dias de hoje, se eu pedisse grana
pra ele pra sair, ele ma daria 50 reais e amanha, novamente, era uma vida boa e
muito bem aproveitada.Em uma de nossas viagens pra Cardoso, ele levava seu
barco e motor, e ia pescar no meio do rio, pois haviam galhos de arvores pra
fora da água que os pescadores ancoravam seus barcos pra pescar, e era o ponto
do peixe, pois era bem ao meio do rio, fora da correnteza, o Rio Grande, e
ficávamos bem na divisa de Minas Gerais e São Paulo, permitindo-nos ver todo um
horizonte de água e verdes. Era lindo e tranquilo, adorávamos ir pra la, e eu
principalmente, pois eu amava pescar e meu pai me lavava no barco com ele, e um
dia, levantamos cedo, ainda eram 6 da manhã e lá fomos nós para o rio pescar,
só eu e ele. Ficamos lá o dia todo e quando precisávamos fazer um xixi básico,
pulávamos na água... e depois voltávamos para o barco. Isso numa profundidade
de mais ou menos 18 metros. Mas ele confiava em mim, e nele também, e quando
chegaram outros pescadores, uma família de uma cidade próxima a nossa, eles
ficavam estupefatos de nos ver ali, desde cedo, com o barco cheio de corvinas e
toda hora pulando na água pra mija!risos...Voltamos nesse dia somente quando o
sol estava se pondo. Eram maravilhosos meus dias com meu pai, eu o amava tanto,
nos dávamos tão bem. Só tinha uma coisa que me incomodava nisso tudo; ele sempre
rotulava seus três filhos, sendo o Marcelo o filho inteligente; a Andréa a
filha mais linda; e eu...a tranqueira!
Isso me incomodava muito e como sempre ouvi isso, fui aceitando e vestindo esse
rotulo de incapaz, feia e tranqueira. Hoje sei que não era no mal sentido que
ele usava suas palavras, na verdade, hoje sei que ele queria dizer que eu era
igualzinha a ele. Mas eu não sabia e fui consentindo que meu ego se afundasse
nessa crença!Uma noite fomos num restaurante, como na maioria dos Sábados acontecia,
e na volta, ele estava bem alterado e “simpático” na bebida e minha mãe na onda
dele também, e eu pedi pra vir dirigindo, o que sempre acontecia, eu era
novinha, mas desde os 11 anos eu fazia isso e eles sabiam que eu me dava bem no
volante e adorava quando eles me deixavam fazer isso. No caminho pra casa,
demos de cara com um comando da PM e nossa, foi um pânico, pois já não era mais
possível desviar, e muito menos trocar de motorista, já que estávamos a menos
de 100 metros deles. Meu disse assim; “Vai Inha,(era assim que minha família me
chama), segue como se nada tivesse acontecido”...como??...eu estava com medo,
porem, segui e os guardas chegaram a abaixar a cabeça pra dar uma olhada em
mim, e viram meu pai, minha mãe e meus irmãos todos nos carro, mas eu era a
criança do carro e tava no volante! Mas, não sei se na boa fé, pois pode ter
percebido que não era nada demais e ou que meu pai tava meio alterado, mas os
guardas nem pararam nosso carro! Foi muito bom!Ah, quase me esqueço, quando eu
tinha uns 10 anos, meu pai nos deu uma Mobillete, aquelas motinhas bem
vagabundas que antigamente era como motos...e nossa, eu e meus irmãos andávamos
o dia todo, pois em frente de casa, antes de ser uma praça, era um campo de
terra e não tinha nada...dividíamos assim, cada um dava três voltas na quadra e
ai, era a vez do outro. E quando os três já haviam andado começava novamente no
outro. Só parávamos pra por gasolina que ficava num galão nos nossos pés mesmo,
la na rua. Hoje penso em como os vizinhos daquela quadra não devem ter
sofrido...Mas o fato é que era uma delicia e nos passávamos o dia lá nos
divertindo. Teve um dia, claro, sempre comigo que acontecia os fatos mais
hilários, senão, chocantes...eu sai de casa pra atravessar a rua e andar no
campo que ficávamos em frente de casa, e como eu nuca fazia isso, sempre eram
meus irmãos, naquele dia eu quis sair eu com a Mobillete, e não deu muito
certo, pois bem na hora que eu desci da calçada de casa pra passar a rua, eu
olhei bem em minha frente e estava uma vizinha minha lá do outro lado onde eu
subir. Eu me desesperei, sei lá por que, talvez por que eu era uma apenas uma
criança, e em vez de parar e esperar, eu acelerei ainda mais!! Acabei que
atropelei a mulher, claro, nada grave, só pegou a perna dela, mas pultz, que
susto, e claro, eu fui pro chão e levei o maior fumo de meus irmãos e depois
de meus pais...Enquanto isso na escola,
eu tinha dificuldades que já mostravam que aquela vida um tanto atormentada,
refletia em tudo e todos, e tive problemas que me levaram a desgostar cada vez
mais de estudar. Tive uma,professora que se chamava Walquiria, uma senhora de
idade já avançada e que sofri de problemas de audição. Ela tinha o péssimo
habito de bater nos alunos com uma régua de madeira daquelas de 60 centímetros e às
vezes ate lançava o apagador na cabeça de um. O fato e que ela resolveu usar de
seus métodos em mim e me bateu com a régua, o que me fez levantar imediatamente
de minha carteira escolar e me dirigir ate a diretoria. Eu tinha apenas oito
anos e cursava ainda a dois serie, o que não me impediu de ir reclamar meus
direitos, pois eu já era uma criança que em mim predominava a bandeira do
“basta à agressão por tudo o que vivia em família, e ainda teria de suportar
uma atitude monstruosa em minha opinião de uma pessoa estranha que, nenhum
direito exercia sobre mim, senão o de me passar uma educação literária e por
que não dizer, ate mesmo de postura ética e humanitária, já que educação é um
doas passos mais importantes na vida de um cidadão...A diretora não desconfiara
de mim quando relatei os fatos e não me proibiu de ir embora naquele dia mais
cedo pra casa, pois me recusei a voltar na mesma sala com aquela pessoa que me
agredira sem pensar em seus atos. Chegando em casa relatei o ocorrido a minha
mãe que se tornou uma fera, como onça defendendo a cria e no dia seguinte,
seguiu comigo pra escola, decidida a tirar tudo a limpo com a direção e a
professora. Isso mais uma vez me custou caro na vida, pois chegando lá, a
diretora nos acompanhou ate minha sala de aula onde conversando com a tal
professora na porta desta, ela se virou pra todos os alunos de minha sala e
perguntou em voz de indignação a todos os presentes; Imagina, algum dia aqui eu
bati ou gritei com algum de vocês nessa sala de aula??”, no que todos, com medo
de buscar suas dignidades talvez ate mesmo pelo fato de não serem criados e
educados pelas suas famílias de forma que devessem sim se expressar e estar
sempre do lado justo da vida, todos recusaram o direito legitimo de
autoproteção e negaram todos que um dia, aquela mulher havia feito algo de
irregular que fosse contras ate as leis da natureza. Naquele momento ela se
virou pra mim e pra minha mãe dizendo que eu não era uma de suas melhores
alunas que ela deveria pensar em uma possível indicação pra uma classe especial
pra mim, onde estudavam crianças com dificuldades mentais de aprendizados.
Queria afundar sob aquele chão e nunca mais sair de lá, o que me impediu ainda
mais de ser tudo o que poderia ser uma criança em seu aprendizado e ciclo
normal de vida. No prezinho também, tive alguns problemas a enfrentar, não com
a professora, mas com meu medo de ficar sem minha mãe e já que minha avó morava
a uns 40 metros dali, eu fugia de vez em quando pra casa dela, alegando que não
tinha mais aula, coisa que ela sabia muito bem lhe dar e acabava por me
convencer a voltar. Mas tinha lá um cidadãozinho, cujos cabelos eram ruivos e
ele todo sardentinho, que nos primeiros dias de aula a mãe dele tinha que
assistir junto dele, pois ele não ficava sem a presença da mãe um segundo
sequer de seus dias. E foi comigo que ele, criança esta que não consigo em
recordar seu nome, acabou se deixando levar pra uma amizade que eu jamais
esqueci, e espero do fundo de meu coração que este menino se lembre de mim o
quanto me lembro dele. Pois foi comigo que ele começara a sentar e tentar um
meio de proximidade e comunicação, e com isso, sua mãe aproveitava sua
distração e seguia pra sua casa, saindo escondida dele sempre, ate que ele
percebia e começava a chorar, mas nossa amizade começava a se concretizar
nesses momentos, onde com a ajuda da nossa professora, ele se entregava as
brincadeiras e tarefas que nos eram passados e se envolvia comigo nestes.
Envolvimento tamanho, que eu ia ao banheiro, ele me acompanhava ate a porta,
não entrando por que era proibido, senão o faria com certeza. E quando era a
vez dele ir ao banheiro, era minha vez de acompanha-lo, pois sozinho ele não
ia. Tudo o que você imaginar que se pudesse fazer num pré, nada ele fazia se
não fosse ao meu lado. Na dança da quadrilha de São João todos escolhiam seu
par e eu cultivava o sonho de escolher o Fabinho, que era um menino do qual eu
gostava muito e adoraria dançar com ele, porem, eu não tive a chance de
escolher nenhum, pois meu par já estivera formado desde que aquele sujeitinho grudento
(risos) me escolhera como sua companheira de tudo ali. Mas não me queixo não,
lembro-me dele e dos fatos com saudades e pra sempre vou tê-lo registrado em
minha memória e coração, e também em minhas fotos que registraram pra sempre
este nosso momento. O meu pré-escola foi-me uma historia que nunca me esqueço,
pois tínhamos a Tia Jura que era a cozinheira e fazia um peixe em molho uma vez
na semana que ate hoje me lembro e sinto água na boca, e nunca comi algo que
chegasse aos pés daquele prato maravilhoso, fora que a Tia Jura era nossa mãe
lá, pro nossos medos, nossos receios e era demasiadamente doce aquela mulher!
Nessa mesma época, meu tio Vladimir morou uns tempos em minha casa, pois havia
montado um açougue em Americana e minha tia e primos juntamente dele moravam em São Bernardo do
Campo, onde ficaram toda a vida. Meu tio ia pra lá aos fins de semana e durante
a semana, meu pai me levava ao pré e meu tio me buscava, já que seu açougue era
próximo dali. Sendo assim, eu que sempre fui muito apegada aos meus tios, tias
e primos, em minha cabecinha de leão, tamanho era meu raciocínio emocional,
queria almoçar um pouco com minha vozinha Ophelia que tanto amava, junto de
minha tia Regina que depois do almoço sempre jogava dominó comigo ate que meu
tio chegasse e não poderia deixar de comer um pouco com meu tio, pois eu o
amava de paixão, pois ele era o cara que sempre brincava com a gente em tudo
durante sua estadia em casa. Então, eu almoçava um pouco com minha avó e tia, e
um pouco com meu tio em casa, e acreditem , eu tinha essa disposição
diária... já que minha preocupação era
em dividir minhas atenções entre aquelas pessoas que eu tanto amava. Inclusive
o time que torcemos ate hoje, o Corinthians, foi a relação intima que tínhamos
com meu tio Vladimir, que também é corinthiano.
Eu sempre fui uma criança ativa e arteira
demais, e andava de skate e patins todos os dias, que me fazia ir ao chão
diariamente, numa dessas quedas fraturei a clavícula direita, mas em qual das
quedas que ocasionou eu nunca descobri, já em um tempo pequeno de dois dias eu
tive três quedas violentas, uma de patins, uma de skate e uma da rede na
chácara de meu tio, onde meu irmão me balançava e eu pedia com mais força e ele
me atendendo, em um determinado momento, a rede deu uma volta de 360 graus,e
claro, eu fui direto a solo, nocauteada!risos... Mas sempre tive muitos
ferimentos e adorava um curativo e ficar doente, pois assim, hoje eu sei, eu
tinha atenção, não que eu não tivesse, mas era uma forma que eu encontrara de
me expressar. Levei varias vezes alguns pontos da testa, já que eu teimava em
entrar de bicicleta na oficina do meu pai onde eu acaba por atropelar algumas
grades que caiam sobre mim, me ferindo.
E assim, foi parte de minha infância, o que
falarei mais em capítulos seguintes. O que me passa agora é que precisa ficar
claro que meu pai era o homem que eu mais amei nessa vida e era meu tudo
enquanto eu era apenas uma criança. E digo...foi uma boa amizade a nossa!!
O fato é que quando eu cheguei à ascendência
da infância pra adolescência, eu comecei me questionar por que meu pai era tão
especial comigo e na rua e em casa, ele batia em minha mãe e nos fazia sofrer
tanto??....
Resolvi perguntar pra
ele e assim o fiz;
“Pai, por que na rua e comigo você é tão bonzinho e em casa, você bate
na mãe ??”
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Minha pior Luta
CAPITULO
VI
Aos meus 24 anos
aproximadamente, eu era mais minha mãe do que eu mesma, e no fundo...eu era ou
queria ser mais mãe do que minha própria mãe. Distanciei-me de meu pai pois ele
era um exemplo de atitudes e os sentimentos que me causavam o que eu não queria
pra mim. Tudo o que me preocupava era minha mãe e sua felicidade e a isso eu
doava minha vida e todos os meus sentimentos. Sofri e me cobrava por não poder
fazê-la feliz e tira-la daquela vida de agressões e dor. Eu escolhi pegar o
problema deles pra mim, crendo que seria possível fazer minha mãe feliz.... e
acabar com tamanho sofrimento. Meus estudos já estavam comprometidos, pois a
chance que eu tive de fazer aquilo que me colocava no caminho da veterinária
que era meu sonho, era um curso técnico que desisti no meio do caminho, pois
não suportava a idéia de ficar longe, já que estudava em outra cidade e não me
era possível estar presente dia-a-dia com ela. Bebia com meus amigos e a vida
pra mim era me divertir com eles bebendo e fazendo-os rir pra esquecer o quão
era difícil viver o que eu vivia em meu interior. Meus trabalhos nunca deram
muito certos também, pois em alguns, eu deixei por que minha mãe saiu de casa
duas vezes pra deixar meu pai e eu tinha que cuidar da casa, e não me lembro se
alguém de minha família me impôs isso, mas eu escolhia isso e abandonava minha
vida. Nas duas vezes ela voltou e aceitou a promessa de que meu iria mudar e
tudo seria diferente. Houve uma terceira vez e que cometi o pior dos crimes que
eu poderia ter cometido comigo e contra eles...Eu exigi de minha mãe que ela
escolhesse entre eu ou ele, pois não o queria mais por perto. No fundo eu o
amava, mas nem eu mesma já sabia disso, pois exteriormente, eu o odiava por
tudo o que ele fazia contra minha mãe. Na minha cabeça, minha mãe era a única
vitima disso tudo e ele...o vilão. E em meio a tudo isso, eu me fazia de vitima
de tal fato e na rua, de maneira inconsciente, eu me fazia feliz e engraçada a
tudo e a todos, era a melhor das companhias pra todos, amigos, família de
amigos e no todo, eu era a palhaça da roda! Contava piadas, bebia com todo
mundo, era simples e em todo lugar eu me dava bem, pois eu me adaptava a
qualquer ambiente e pessoas, e o que eu estava fazendo, sem ter consciência,
era usar mascaras pra ser aceita de alguma forma...pelos outros e por mim
mesma!Por que ali.. naquele momento.... a Cláudia...já não existia! Quanto a
meu pai, eu era o calo do sapato dele, em tudo eu o reprovava e ele também
sempre me machucava quando podia, pois nossa relação não podia ser pior. Eu
batia de frente com ele e nas brigas, eu o enfrentava e muitas vezes apanhava,
e ate piorava a situação deixando-o mais irritado e fora de si, mas eu também
ficava fora de mim, e era como se eu fosse sua esposa e apanhasse dele. Costumo
dizer que minha mãe apanhava todos os dias, e quem ficava com os hematomas era
eu...pois ela aceitava e no dia seguinte, mesmo machucada e humilhada, ela se
levantava e seguia seu dia, e muitas, senão milhares de vezes, eles ficavam bem
entre eles, e eu...bem, eu ficava cada vez mais ferida e com ódio de tudo
isso...Aos 24 anos de minha vida eu comecei a perceber que estava tudo errado e
sabem de uma coisa...eu sentia falta de meu pai.E também estava cansada de me
mostrar feliz pra tudo e todos e na verdade...ser uma farsa. Era isso o que eu
era...uma farsa!Fiz terapia durante seis anos e na verdade não me serviu pra
nada, pois eu tentava enganar a psicóloga que eu estava enxergando as coisas e
repetia sempre a mesma coisa a ela, acho que ela não me suportava mais, e sua
linha de trabalho era daquelas que o psicólogo não abre boca, sabe, e você é
quem tem de falar e conduzir as sessões e poxa, aqui entre nós, eu achava um
porre! Mas imagino que ela foi quem mais cansou de tudo isso e achava
insuportável, pois quem em sã consciência aguenta uma menina rebelde e cheia de
traumas que quer dar uma de “eu sou F...”, ou devo dizer esta palavra?Foda....?risos...Mas,
ela me foi ótima, pois hoje eu vejo que ela fez por mim que ninguém mais
poderia fazer...somente eu mesma...respeitar-me! Dedico essas linhas a ela, que
se chamava Nadia, uma grande amiga! E mesmo contudo,eu ainda olhei pra mim e
consegui ver apenas um inseto insignificante...sim! Era assim que eu me
sentia...um misero inseto vagabundo e sem utilidade nenhuma, e digo, insetos
tem sua utilidade, né!?Mas eu não tinha nenhuma utilidade, senão, me autodestruir.
Sabem aquelas cartas bombas que vemos em filmes que o personagem abre e depois
de lê-la ela emite a frase “esta caixa se autodestruirá em 10 segundos, 09, 08,
07, 06, 05, 04, 03, 02, 01.... BUMMM!”....eu era assim...e pior, comigo
mesma!Senti-me um lixo, um verme que rastejava pela terra em busca de algo que
pudesse terminar com sua própria existência. Algo que dava asco a mim mesmo...podre,
pobre e pequeno!Aff....
Eu nunca desejei
cometer suicídio e julgava essa atitude um ato repugnante!Porem, eu fui suicida
por metade de minha vida...e da maneira mais cruel. Tive de tomar atitudes e
revirar meus pensamentos, sentimentos e meu passado. Mas quando resolvi olhar
pra ele, eu vi um vazio imenso, um caminho escuro, sem linhas traçadas e nada
escrito pra que eu pudesse me agarrar e tomar uma direção. Tudo estava errado,
tudo estava confuso e obscuro. E foi ai que tive que me defrontar com meu mais
negro sentimento e acontecimento;
.... o dia em que resolvi deixar de amar meu pai!
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
CAPITULO V
Eles formavam um casal
alegre, descontraído e feliz. Gostavam de reunir amigos, a família e tudo era
um motivo de comemorar, beber e dar boas risadas. Passavam dias inteiros, senão
noites com o pessoal, e tudo era muito divertido viajávamos muito pra diversos
lugares, Ubatuba, São Sebastião, Parati, Mira Estrela, Cardoso, Minas e tantos
outros lugares. Mas os lugares que mais íamos era São Sebastião quando
pequenos, Ubatuba, e numa dessas idas e voltas, fomos conhecer um parque que
tem em Parati, onde tinham animais soltos e você podia andar por lá livremente.
Nesse dia, no caminho pra lá, meu pai tinha o habito de andar com o braço
pendurado pra fora da porta do carro, e na estrada, havia um monte de estrume
de vaca que ele passou com o carro em cima e a pressão fez com que o estrume
espirrasse todo no braço dele, o que nos fez rir muito. Ele sempre levava ou
convidava nossos tios e tias, e acabávamos sempre viajando em companhia de
nossos primos, o que pra nós era o máximo. Eram dias inteiros na praia, com as
regalias que o lugar nos oferecia e em casa, sempre pratos gostosos e mais
festa. Mira Estrela e Cardoso também eram uns lugares aonde íamos com certa
frequência e lá, sempre com nossas famílias reunidas, eles compravam carneiros,
porcos e abatiam lá mesmo pra realizar grandes churrascos. Numa dessas viagens
a Mira Estrela, e quando cito Mira Estrela, cito automaticamente Cardoso, já
que estas eram cidades vizinhas, separadas somente por uma estrada de terra de
11 kilômetros, e como eles precisavam de isca pra pescar, atravessávamos o rio
pra passar a rede do outro lado da margem, onde pegávamos pequenos peixinhos, e
em uma ocasião meu pai foi e levou todas as crianças pequenas, pois adorávamos
quando podíamos dar uma volta de barco. Mas enquanto estávamos lá, o tempo
começou a virar rapidamente e meu pai nos apressou senão não passaríamos pro
outro lado com tranquilidade, porem não foi possível a travessia tranquila, já
que o tempo rapidamente se tornou agressivo e os ventos com a chuva, dificultou
em tudo nossa travessia. Todos sem coletes salva vidas e o barco batia querendo
virar, eu na popa do barco pra equilibrar o peso, não facilitando a virada do
barco, e a chuva enchendo de água o barco, e todos, ate mesmo meu pai, nervosos
e com medo. Correu tudo bem, sempre com a Grandeza de nosso Deus Criador, mas
foi uma experiência um tanto inesquecível. Meu pai tivera uma moto em nossa
infância também que me lembra do quanto corríamos com ela, pois era uma CB 450
e na época era uma moto potente e linda, pois era vermelha e bem preservada, e
meu pai me levava pra andar nela e ele corria muito, coisa que eu gostava e me
falavam, quando atingíamos velocidade superior a 100 km e nos divertíamos com
aquele perigo. Aos Sábados, minha mãe sempre ia à missa, habito que ela sempre
cultivou em nossos corações, ensinando-nos sempre a crer em Deus e na fé
Católica, e íamos todos com ela, eu e meus irmãos, e cada um reagiam a sua
forma, pois Marcelo quando alcançara uma determinada idade já não nos
acompanhava com frequência por não ter mais vontade de ir, já minha irmã sempre
fora muito religiosa e tivera ate um fato, quando em recuperação de uma queda,
a primeira coisa que ela quis fazer foi ir à missa e no termino dela,
aproximou-se de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, de onde, voltou com os
olhos em abundantes lagrimas, que fez minha mãe se surpreender e questiona-la o
porquê do choro, onde que ela respondeu com toda pureza de uma criança e fé
iluminada, que ela havia visto Nossa Senhora Sorrir pra ela...! Eu, quando
pequena geralmente me recostava no banco da igreja pra apreciar as pinturas que
tinham no teto da igreja Matriz de Santo Antonio, pois era uma igreja linda e
com sua construção elegante e monumental. Acabava por adormecer ali, no banco e
com a cabeça apoiada no encosto acordando somente no final da missa. Nas
saídas, minha mãe sempre deixa-nos ir ate o Padre Constantino pedir-lhe a
comunhão, e como bom homem que sempre fora, nos elogiava pela vontade precoce
do querer a hóstia consagrada e nos dava uma cada uma sem consagração, já que
não se passava ali, de alimentar nosso desejo infantil e puro da comunhão
fazendo-nos as crianças mais felizes do mundo. E no final de tudo, já que meu
pai nos levava e ficava em algum bar esperando dar hora de ir nos buscar, minha
mãe nos liberava um pouco antes dele chegar, pois não podíamos deixa-lo esperar
nem um minuto, pois isso o irritava tremendamente. Corríamos pegar alguns
pedaços de papelão que já levávamos com essa intenção, ou encontrávamos por lá
mesmo sempre algum perdido e corríamos escorregar na grama da igreja, que era
rodeada de um jardim com sua arquitetura desnivelada e algumas quedas forradas
de grama que nos proporcionavam deliciosos lugares onde sentávamos em cima do
papelão e descíamos com toda velocidade grama abaixo, o que fazia sempre o
padre Constantino fosse ate nos e dissesse “crianças, não pode escorregar na
grama...”, coisa que não levávamos em consideração. Após as missas sempre íamos
à casa de alguém ou em algum restaurante, dando-nos sempre uma vida luxuosa,
farta e feliz, só não pelo ciúme compulsivo e com a colaboração da bebida que
transformava Cláudio em um homem agressivo e sem controle. As brigas começaram
a ocorrer já no namoro, porem o amor sempre foi maior. A mãe de Fátima,
Ophélia, chegou a se opor ao seu casamento, mas Fátima o amava demais. As
brigas começaram a se tornar continuas e mais intensas, e toda festa acabava em violência. Não existiam
motivos reais, aos olhos de quem estava de fora, porem a bebida faz coisas na
cabeça de um homem que ate mesmo Deus duvida! Fátima não era um a pessoa que
abaixava a cabeça e aceitava as ofensas, ela argumentava e se defendia, o que
fazia com que ele ficasse ainda mais explosivo e agressivo. Seus três filhos
acompanhavam tudo ao lado, quando pequenos, não sabiam como reagir e assistiam
tudo como se estivessem numa arquibancada de circo e o show, eram seus pais se
agredindo! Com o crescimento de cada um, eles começaram a reagir de formas
diversas, cada um a sua maneira tentava proteger a mãe das agressões e ate
mesmo de seus próprios medos, pois era assustador pra eles verem tamanha
violência entre as pessoas que mais amavam. Havia vezes que eles chamavam seus
tios, ou vizinhos e pediam ajuda, e assim, acabavam por envolver mais pessoas e
toda situação se tornava ainda mais constrangedora pra ambos. Mas eram crianças
e estavam com medo, pois seus pais eram tudo o que tinham. Fátima sempre fora
cautelosa em relação ao amor e admiração que seus filhos tinham pelo pai, e
todo final de briga ela tentava amenizar a situação e fazia-nos crer que a
culpa era dela, ou que nada havia de errado e já tinha terminado. E nas manhãs
seguintes, tudo se resolvia com um pedido de desculpas, um papo, um passeio, um
almoço.. e tudo voltava ao seu ciclo normal, bebidas, festas e diversão... até
que as brigas iniciassem novamente e tudo voltava a se repetir, mais e mais....
e cada vez mais violência e cada vez mais sofrimento, e as crianças foram
crescendo e se tornando vitimas de tamanho sofrimento vivido em sua família.
Marcelo sempre foi sensato e pedia, falava e tentava de muitas maneiras
amenizar a situação, mesmo que sem sucesso, e houve vezes em que ele já
crescido, se metia e apanhava e tentava bater em seu pai, pra tentar parar com
a violência. Andréa já era pura explosão de sentimentos, chorava, gritava e
pedia pelo amor de Deus para pararem... ela acreditava muito no pai e sempre
tinha forças pra conversar com ele mesmo com tanto medo e violência, tentando
convencê-lo de que não era assim que devia ser. Tinha vezes em que ela se
desesperava tanto que desmaiava, e assim, a briga era finalizada temporariamente,
e penso ate que estes desmaios eram propositais e ou psicológico, pois era uma
forma que ela sabia de finalizar a briga... Era fantástico como ela acreditava
que conseguiria, pois nunca desistiu. Eu, a mais nova, sempre fui movida pelo
medo, e esse sentimento se tornava tão grande dentro de mim que sentia dores de
barriga a cada sinal de perigo. Sempre me dava esse medo e a primeira coisa que
eu fazia era me sentar num canto qualquer pra me sentir um pouco mais segura.
Mas eu também fui crescendo e aprendendo o querer proteger, e me metia na briga
e com minha adolescência chegando, passei a ofender meu pai, a proteger minha
mãe e a me envolver com mais intensidade nas brigas. No fim, eram os três
filhos no meio daquelas brigas sem fim, diárias e violentas. Fátima começou a
contar mais com seus filhos e já não mais conseguia esconder seu sofrimento e
suas dores e medos... às vezes ela se entregava a presença dos filhos e com
eles chorava e se lamentava por tudo. Haviam vezes que essas brigas saiam mesmo
quando haviam pessoas em casa ainda e não somente uma, mas diversas vezes
pegava eles no banheiro com meu pai já a agredindo, e eles saiam como se fosse
possível, nada tivesse acontecido, ate que todos fossem embora e eles pudessem
“terminar” a briga. Essas brigas aconteceram muitas vezes no caminho pra casa,
quando retornávamos de algum lugar, meu pai já começava com suas discussões no
próprio carro e eles brigavam tentavam se agredir e colocavam em risco nossas
vidas e de terceiros, vezes ate em que ele muitas vezes parava o carro pra
bater nela ou manda-la descer do carro, acusando-a sempre de algo que ela
cometia de errado na cabeça dele, quando não, ele se irritava com alguma
manobra errada que algum motorista fazia em sua frente e arrumava confusão com
pessoas que ele sequer sabia quem eram. Houve uma vez em que meu pai irritado
com um motorista de ônibus, parara o carro na frente do ônibus, de forma que
não permitia sua passagem e desceu do carro pra enfrentar o motorista que nem
sabia o que estava acontecendo, e o fato de seus filhos, sua família estar no
carro correndo perigo e se expondo ao ridículo juntamente com ele, não o
impediam de cometer loucuras desse tipo. Numa dessas discussões absurdas com
terceiros, ele arrumou encrenca com um cara de um fusca azul que nos seguiu até
em casa, parando seu carro na porta, desceu armado e ficou la chamando meu pai;
naquele momento ele se dera conta da gravidade de suas atitudes e o risco que
se colocara e sua família, e reconhecendo isso, naquele dia, ele covardemente
se escondeu dentro de casa, tentando ignorar a ameaça que lhe fazia aquele
rapaz ate que ele se cansasse e fosse embora, que foi o que ocorreu. As
agressões cometidas pelo meu pai contra minha mãe eram de fator grave, e
infinitas foram às vezes em que eu e meus irmãos precisávamos salvar minha mãe,
e algumas, salva-la da morte. Ele não parecia ter noção de sua força e de que a
pessoa que estava a sua frente era sua esposa e mãe de seus filhos. Ele batia
nela como um lutador de boxe bate em seu adversário, como se brigam dois homens
em uma briga de rua. Ele batia de mão
fechada em sua cara e a jogava longe, contra a parede, pelo cabelo, da forma
que ele precisasse, ele a pegava e batia. Existia um ódio nesses momentos que
me paralisava, me dava pânico e ódio ao mesmo tempo. O olhar que ele tinha
nesses momentos era como de um ser maléfico, cheio de ódio, ele se transformava
de tal forma que, hoje penso que ele mesmo não sabia o que era aquilo, que
força ou ser era aquele que o tomava e levava-o a fazer tudo aquilo. Houve, vezes
em que se não chegássemos a tempo, ele a teria matado, e as cenas eram das mais
deploráveis possíveis, algo de nos tomar de choque e medo, transformados pelo
que assistíamos e presenciávamos. Quando saiamos pra alguma festinha ou
quermesse, saiamos já com o medo do que poderia acontecer e eram raras às vezes
em que saiamos sem essa preocupação, em nos existia algo, um sentimento ou uma
intuição que nos acionava em determinados momentos que nos apressava a voltar
pra casa e em todas essas vezes, chegamos em momentos críticos em que se não
fosse nossa presença, teria sido o fim definitivo de todos nós. Muitas vezes
nos revezávamos e se dois de nós saiamos, um ficava, mais entre eu e minha irmã
ocorria esse rodízio. Minha mãe sempre ficava com hematomas terríveis em seu
corpo e não somente uma vez, precisamos correr com ela pra um hospital. Uma
vez, mesmo contra a vontade de meus irmãos, pois tentávamos não chegar a tal
ponto, porem às vezes foi preciso chamar a policia, e em uma das vezes, creio
que a primeira, fui eu quem o fiz, e chegando lá, os policias foram atendidos
por mim que expliquei o que ocorria e pedi que entrassem senão ele a mataria. Porem,
os policias, de forma tremendamente fria, me informaram que o fato de eu ser
menor de idade, por volta de 10 anos, 11 anos.. eles não podiam entrar sem a
autorização de um maior, que eram meu pais ...Como???disse aos gritos, meu pai
esta matando minha mãe e vocês nada podem fazer??Vão ficar aqui, assistindo de
camarote???....mas nada mudou o destino daquela noite, que era mais uma vez
minha mãe ser gravemente ferida naquela briga cheia de ódio e tão vazia de
razão. Em outras oportunidades, em que policia foi envolvida, tivemos que
acompanhar minha mãe ate um hospital, onde se realizara exame de corpo delito e
depois, seguir ate a delegacia, onde se prestava queixa, uma humilhação atrás
da outra, pois de nada resolvia, mesmo com queixa prestada, ate mesmo na
delegacia da mulher, o que inclusive se faz muita propaganda e campanha de que
devemos denunciar a violência no lar e a delegacia da mulher seria um órgão que
deveria servir de proteção e apoio a esse tipo de incidentes, mas confesso que
de nada resolveu às vezes em que procuramos a policia e a delegacia da mulher,
senão pra nossa própria humilhação de ter de se expor pra terceiros, em meio a
um ambiente frio e irrelevante em circunstancias que dependíamos muito de sua
ação. Essa foi nossa rotina de vida por mais de 20 anos de nossas vidas, e
dizer que melhorava ou piorava.... torna-se algo meio que impossível, pois o
cansaço e desilusão se tornara companheiro de nossos dias e esperança, era uma
palavra distante de nosso dicionário. Fé...mesmo com os ensinamentos que minha
mãe nos passava e cultivava em nossos corações, sempre nos incentivando a
participar da comunidade e de suas obrigações, que era o catecismo, crisma e
ate mesmo, nos envolvemos em dar aulas na comunidade por vários anos, mas isso
não era o suficiente pra termos fé naquilo que mais nos sufocava e fazia
sofrer. Lembro-me de ser uma pessoa que não perdia uma oportunidade sequer de
desabafar e chorar com que se mostrava amigo e cúmplice de minhas dores e
medos. E creio que meus irmãos também o fizeram em suas vidas que de nada fora
diferente da minha, a não ser pela índole e ego de cada um, criando assim,
nossas personalidades. Nossos familiares eram muito próximos de nos ate um
tempo, em que tudo era festa e as coisas controladas, mas repetidos
constrangimentos que passavam com toda essa situação os levaram a se afastar e
o não querer da parte de minha mãe o divorcio, fez dela a mais errada de tudo
aquilo, pois eles não aceitavam que ela concordasse continuar com aquele
cenário de vida. Mas a questão não era concordar ou não, pois eu também julguei
minha mãe e meu pai por tudo, sofrendo e criando barreiras que jamais
conseguiria derrubar num futuro próximo de minha vida e de nada resolveria,
pois a questão seria tão individual de cada um dos dois, que penso ate ser
espiritual. Era por amor, era por medo do mundo que teria de enfrentar com seus
filhos, era por medo do próprio marido e ate mesmo por esperança que ela não o
fazia e ele, talvez fosse guiado tão cegamente por forças maiores que se
permitiam toma-lo nos momentos em que bebia e se tornava vulnerável, que em sua
cegueira e orgulho, não percebera que aquilo tudo não era ele, e sim, algo que
o fazia sofrer tanto quanto nos, sua família. Não era jamais uma questão de
julgarmos ou apontarmos um ou outro...como todos o fizemos, e sim, de tentar se
colocar no lugar de um e de outro, e tentar ter compaixão por cada atitude, por
cada ser e coração que ali se autodestruía. É o que sinto hoje...uma
cumplicidade maior me faz ter compaixão por ambos e me coloco no lugar de cada
um, e confesso não saber qual dos dois sofreu mais e qual dos dois errou mais,
pois havia somente uma meta ali, naqueles corações despedaçados...AMOR! O fato
caro leitor, é que aquela união caminhava a cada vez mais para seu fim e
Cláudio nunca admitira que a bebida fosse o fator predominante nessas brigas.
Ele a amava com seu mais profundo amor, isso era fato, porém não percebia que
algo o estava levando ao caótico fim de seu casamento. Ele era orgulhoso,
forte, determinado, e tinha um coração sem tamanho quando o assunto era ajudar
alguém que conhecia , ou de nossa família...era um bom homem, trabalhador,
alegre e inteligente, porém, a bebida o transformava num homem que, creio eu,
nem ele conhecia e sabia lhe dar! O pobre era influenciado ou se deixava levar
pelo vicio que não era notado, e aos poucos ele ia se perdendo e perdendo os
que mais amava. Os filhos foram crescendo, e com eles, cresciam as maneiras
individuais de cada um de sobreviver com essa relação tão tortuosa, e Marcelo
já se envolvia mais com o trabalho, os estudos e quando começou a namorar
Elisa, ele se dedicava somente a isso, não mais se permitindo ter tempo pra
família e sua convivência. Pensávamos que ele não se importava conosco e com
nosso sofrimento, porem , hoje, penso que esta foi a saída que ele achou em seu
caminho pra que não sofresse tanto, já que nós pouco podíamos fazer pra
resolver algo entre nossos pais. Andréa sempre foi de ter muitas amizades e
nosso ponto de encontro era na frente de nossa casa mesmo, já que morávamos em
frente a uma praça onde todos se encontravam e se tornou o point da moçada. E
mesmo namorando serio e apaixonada, ela quase não saía de casa, pois tinha medo
de que nosso pai brigasse com nossa mãe e ela estivesse sozinha, como se
protegeria? Seu namorado concordava com isso, já que estava com ela por amor,
mas isso custou a relação deles e ela também foi se desgastando emocionalmente
e criando suas maneiras de responder ao seu sofrimento interno, e acabava sendo
expressiva e extrema em suas atitudes e palavras, e também entendo que tudo que
ela fez e a forma, era seu jeito de expor e sobreviver ao sofrimento que
passava por dentro com tudo aquilo. Mesmo amando demais o pai, e mesmo contudo
o que ele fazia, ela nunca deixou de admira-lo e ama-lo com toda sua força. E
eu, passei a viver minha adolescência em meio aos meus amigos e nas farras de
nossa idade, e aos poucos mesmo me envolvendo demais nas brigas, fui me
educando a sair antes das brigas começarem e chegar somente quando eles já
estivessem dormindo, assim, eu me poupava daquilo tudo e sofria menos...pelo
menos era o que eu queria acreditar!Nesta jornada, todos sofreram demais...o
casamento foi à falência e parte de nossas vidas também, porem, como não conhecemos
os desígnios de Deus e do destino, cada um fez seu caminho a sua maneira, e
todos, acreditem...todos aprenderam demais!
Penso; “Como Viver a
Vida em Termos de Esperança...".
E que Palavra é essa...Que a Vida não
Alcança...?!”
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